Empregador que manteve trabalhadora doméstica em trabalho análogo ao escravo na PB tem novo prazo para pagar dívidas - Jornal Diário do Curimataú
Empregador que manteve trabalhadora doméstica em trabalho análogo ao escravo na PB tem novo prazo para pagar dívidas

Empregador que manteve trabalhadora doméstica em trabalho análogo ao escravo na PB tem novo prazo para pagar dívidas

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G1 -

Advogado de defesa do ex-patrão pediu que o pagamento, que deveria ser feito até a última segunda-feira (14), seja realizado até o fim deste mês.

O empregador que manteve uma trabalhadora doméstica em trabalho análogo à escravidão em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, tem um novo prazo saldar as dívidas trabalhistas com ela. Segundo a assessoria de comunicação da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (DETRAE/CGFIT/SIT), o advogado de defesa do ex-patrão pediu que o pagamento, que deveria ser feito até a última segunda-feira (14), seja realizado até o fim deste mês.

A mulher, de 57 anos, foi mantida em trabalho análogo ao escravo por 39 anos e resgatada no início de fevereiro.

O empregador da mulher e a família dele tiraram a vítima da cidade onde nasceu, em Cuité, quando ela tinha 18 anos. Na casa onde ela vivia e trabalhava, em Campina Grande, ela era responsável por cuidar dos patrões idosos, limpar a casa, arrumar a cozinha e fazer os cuidados da matriarca da família, que ficou acamada e com dificuldades de locomoção.

“Cuidava dos patrões idosos, limpava a casa, arrumava e cozinhava, além dos cuidados com a matriarca da família que ficou acamada e com dificuldades de locomoção. Ainda, a empregada vivia um processo de coação psicológica que a levava a aceitar as condições indignas de trabalho com afirmações de que ela teria responsabilidades com os idosos por ser uma pessoa considerada da família”, descreveu a auditora.

A carga de trabalho da vítima aumentou ainda mais há pelo menos cinco anos, quando ela passou a ser responsabilizada pelo cuidado de cerca de 100 cães adotados pelos patrões. Essas atividades eram feitas todos os dias da semana, inclusive aos domingos e feriados.

A jornada da trabalhadora iniciava por volta das 7h e se encerrava após a meia-noite por causa do alto número de cachorros e da obrigação de limpar toda a casa e espaços destinados ao abrigo dos animais, além de alimentá-los.

As atividades diárias também envolviam limpar e lavar os canis, limpar fezes e urinas dos cachorros tanto na parte externa, quanto dentro da casa.

Apesar da mulher receber salário mensal, 13º e férias, ela não usufruía de descanso semanal remunerado, feriado e das férias de 30 dias. Apesar de ter folgas eventuais nos feriados de São Pedro e Réveillon, nunca pôde ficar mais de quatro dias fora das funções.

Segundo a auditora, este foi o primeiro caso de resgate em trabalho doméstico na Paraíba. A operação foi realizada a partir de uma denúncia feita Disque Direitos Humanos – por meio de ligação ao número 100 – sobre a possível exploração de trabalho.

Adoecimento no trabalho e condições precárias de moradia

A trabalhadora possuía um adoecimento das unhas das mãos, que segundo o relato dela, teve início “quando começou a pegar sabão, água sanitária e ficar muito com a mão na água”. Ainda aos auditores, ela contou que sente coceira, dor e inchaço nas unhas.

Segundo a fiscalização, o problema nas unhas junto a coceiras pelo corpo da trabalhadora, pode ser enquadrado como adoecimento em virtude do trabalho, já que tem contato diário com urina, fezes e vômitos dos aproximadamente 100 animais do canil e dentro da casa, explica a auditora que coordenou a ação fiscal.

A trabalhadora resgatada também disse que costumava dormir em um quarto com cama e armário, mas foi apurado durante a operação pelo Grupo que o colchão em que ela dormia foi destinado às cachorras em trabalho de parto. Por isso, ela teria passado a dividir um colchão de solteiro com a idosa da qual cuidava.


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