Eleições 2020 serão influenciadas por prefeitos e partidos na PB - Jornal Diário do Curimataú
Eleições 2020 serão influenciadas por prefeitos e partidos na PB

Eleições 2020 serão influenciadas por prefeitos e partidos na PB

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Correio -

Em ano pré-eleitoral, faltando pouco mais de dez meses para o pleito do segundo domingo de outubro de 2020, já é grande a movimentação política na Paraíba, em ações que se estendem da Capital ao menor município do interior do Estado. Na maioria dos municípios, a disputa deve ser polarizada por políticos de poucas legendas a exemplo do MDB, PSB, PSDB e DEM.
E toda movimentação envolve prefeitos em término de mandato e ex-prefeitos que ainda exercem forte influência em redutos que por eles foram comandados por várias vezes, a maioria por dois mandatos.
Este quadro ocorre em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Itabaiana, Ingá, Cajazeiras, Sousa, Catolé do Rocha, São Bento, Esperança, Rio Tinto, Mamanguape, Santa Rita, Bayeux, Conde, Alhandra, Pedras de Fogo, Itatuba, Aroeiras, Cabedelo, Lucena, Monteiro, Esperança, Lagoa Seca, Queimadas, Picuí, Cuité e Sumé, entre outras.
Na Capital, aparece os nomes do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), duas vezes prefeito da cidade. Além dele, surge o nome do também ex-governador Cícero Lucena Filho (PSDB), que igualmente foi prefeito duas vezes. Enquanto Ricardo se prepara para ser candidato, Cícero Lucena desconversa e insiste que abandonou de vez a política desde que encerrou seu mandato de senador, em 2015.
Há quem aposte que os dois – Ricardo Coutinho e Cícero Lucena – são os nomes mais fortes para prefeito da Capital. Mas, em João Pessoa, também está em evidência o nome do ex-deputado federal Manoel Júnior (presidente estadual do Solidariedade e atual vice-prefeito de João Pessoa e que também já foi vice-prefeito, na primeira gestão de Ricardo Coutinho), que tem experiência como prefeito do município de Pedras de Fogo.
Outros nomes também aparecem em João Pessoa como pretensos candidatos a prefeito a exemplo dos deputados estaduais Wallber Virgolino (Patriota), Eduardo Carneiro (PRTB) e Wilson Filho (PTB), além do ex-deputado Raoni Mendes (DEM). Apesar disso, as legendas ainda não bateram o martelo por nenhum nome e podem surpreender.
Em Campina Grande a sucessão do prefeito Romero Rodrigues (PSD) também deve ser polarizada pelas grandes legendas como MDB e PSDB. Pelos tucanos existem nomes como o do ex-senador Cássio Cunha Lima, do deputado federal Pedro Cunha Lima e do deputado estadual Tovar Correia Lima.
O MDB que já teve prefeito eleito no município abriu um canal de diálogo com o ex-deputado estadual e atual Chefe de Gabinete da Prefeitura, Bruno Cunha Lima.

Disputa em Guarabira

A pré-campanha eleitoral também já movimenta a classe política no interior, a exemplo de Guarabira, cidade com quase 60 mil habitantes. Lá, o grupo político liderado pelo ex-governador Roberto Paulino (MDB) começa a fortalecer o nome do deputado estadual Raniery Paulino para a disputa. Já os aliados do prefeito Zenóbio Toscano (PSDB), que está licenciado do cargo para tratamento de saúde, só devem definir um nome no próximo ano.
Zenóbio sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e permanecerá afastado do mandato enquanto se recupera. Zenóbio e sua esposa, Léa Toscano administraram Guarabira por quatro mandatos: Ele está encerrando o terceiro. Ela foi prefeita uma vez.
Em relação ao casal Paulino, Fátima e Roberto somam juntos três mandatos: ele foi prefeito duas vezes. Ela, uma vez.
Quem está no comando da prefeitura de Guarabira, hoje, é o vice-prefeito Marcos Diôgo (PSDB), que começou sua vida pública sendo Secretário de Infraestrutura na gestão da ex-prefeita Léa Toscano. Em 2013, foi eleito vereador da cidade de Guarabira, o mais votado do pleito. Também participou da primeira gestão (2013-2016) do prefeito Zenóbio sendo novamente Secretário de Infraestrutura.
Os grupos Toscano e Paulino levam vantagem na sucessão de Guarabira, diante da inexpressividade das lideranças de partidos governistas como o PSB e PDT, principalmente daquelas ligadas ao ex-governador Ricardo Coutinho. A preço de hoje, o PSB tem dois nomes postos para a disputa de 2020, em função do rompimento do entre o ex-governador Ricardo e o governador João, ambos também socialistas. São eles: o radialista Célio Alves e o vereador Antônio Teotônio, que pode migrar para o PDT.
Analistas políticos de Guarabira apontam o nome do deputado Raniery Paulino como um dos mais fortes na oposição ao prefeito Zenóbio Toscano (PSDB), embora seus pais, Roberto e Fátima Paulino (ambos ex-prefeitos) também sejam fortes para a disputa de 2020. Raniery desconversa quando o assunto é a sucessão municipal em Guarabira. Pelo sim, pelo não, ele é o nome forte da oposição e terá, com certeza, o apoio da cúpula estadual do MDB, se decidir se candidatar.
Lideranças políticas de renome estadual devem participar diretamente da campanha em Guarabira, como o próprio governador João Azevedo e os ex-governadores Roberto Paulino (MDB), Ricardo Coutinho (PSB), Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (MDB).

PSDB tenta voltar ao poder

Em Princesa Isabel, o PSDB comandado pelo ex-prefeito Doutor Sidney se fortalece na disputa pela gestão municipal. O pré-candidato Sidney Filho é o nome com mais chances entre os oposicionistas ao governo do prefeito Ricardo Pereira que, por enquanto, ainda permanece filiado ao PSB. No município, os tucanos são os mais convictos na disputa do próximo ano já que o racha entre o prefeito Ricardo Pereira e o vice, Aledson Moura, prejudicou a escolha de nomes para o embate eleitoral.
Antes de escolherem nomes para lançarem como candidatos, Ricardo Pereira e Aledson Moura terão que definir o partido que vão se filiar já ambos garantem seguir o governador João Azevêdo na filiação a um outro partido. Mesmo sem certeza de em qual partido ingressar, o grupo dos ‘Moura’ já anuncia o vereador Alan Moura como pretenso candidato.
Atualmente Alan assumiu a presidência da Câmara Municipal por determinação judicial para preparar uma nova eleição da Mesa Diretora para o biênio 2019-2020.
Na vizinha cidade de Tavares, o clima não é muito diferente quanto a nomes de candidatos, mas se sabe que um dos partidos a polarizar a disputa é o MDB, legenda do atual prefeito Ailton Suassuna. O gestor não pode mais concorrer e vai ter que escolher um nome para sucedê-lo.

Lá, a oposição está enfraquecida já que o principal nome oposicionista, Coco de Odália, se uniu ao atual prefeito com a promessa de ser ele o candidato governista. Apesar disso, informações dão conta de que Ailton Suassuna não tem mais certeza dessa promessa e pode anunciar o nome de um dos seus braços direitos na gestão municipal. A escolha deve ficar para o próximo ano.

Avaliação

O cientista político e professor doutor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Lúcio Flávio, lembrou que mesmo quase entrando na terceira década do século XXI, a Paraíba ainda está mergulhada na cultura política oligárquica. Segundo ele, no Estado, prevalece os grupos familiares, muito mais do que a legenda partidária. É o predomínio do fenômeno denominado neocoronelismo.
Lúcio Flávio destacou que o MDB depende do nome José Maranhão. O PSDB está subordinado ao ex-senador Cássio Cunha Lima, o DEM está vinculado ao ex-senador Efraim Morais. O PSB não foge à regra. É controlado com mão de ferro pelo ex-governador Ricardo Coutinho.
“Essa prática neocorolenista reforça o personalismo na política e atrasa o desenvolvimento democrático. Em torno de 80% do eleitorado vota em pessoas independente de qual partido ele esteja vinculado”, frisou o professor.
De acordo com o cientista político, a sobrevivência do neocoronelismo na Paraíba se deve a três fatores principais que estão interligados: o atraso econômico, a dependência da máquina pública para gerar empregos e a dependência dos pequenos e médios empresários das obras públicas e fornecimento de bens e serviços.

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