Na Paraíba, 180 mil sofrem com deficiência auditiva - Jornal Diário do Curimataú
Na Paraíba, 180 mil sofrem com deficiência auditiva

Na Paraíba, 180 mil sofrem com deficiência auditiva

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Correio -

Os diagnósticos de perdas na audição têm aumentado progressivamente em todo o mundo e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a situação deve se tornar ainda mais grave nos próximos 30 anos. Na Paraíba, atualmente, mais de 180 mil pessoas têm algum grau de deficiência auditiva (IBGE), e em 2050, segundo a OMS, o número deve dobrar, principalmente entre os jovens. Hoje, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, a principal orientação dos profissionais é prevenir. Os cuidados começam ao nascer e devem permanecer por toda a vida.
“É importante começar desde a infância, com o teste da orelhinha, que é preconizado por lei, a triagem escolar. Fora isso, é preciso ter cuidado com a exposição. Temos visto nas redes sociais bebês em corridas de kart já usando o abafador, o que é uma forma da família prevenir. Já entre os jovens, temos visto ultimamente o uso de fones de ouvido em alto volume. Por isso, a estatística vai aumentar. O ouvido é muito frágil e, se for exposto, vai lesionando progressivamente”, afirmou a fonoaudióloga Marine da Rosa.
Coordenadora do grupo de pesquisa sobre Audição e Zumbido, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a especialista afirmou que há, inclusive, pesquisas comprovando que os mais jovens terão muitas perdas auditivas em razão do uso de fones de ouvidos e até mesmo pela exposição ao excesso de volume nas baladas.
Em relação aos níveis seguros, ela explicou que uma pessoa pode se expor a 85 decibéis (dB) por até oito horas. Mas, na medida em que aumenta a intensidade do som, o tempo de exposição precisa diminuir. Ou seja, num nível de 120 dB, esse tempo teria que ser bem menor. “E com o fone de ouvido, mesmo num nível até 85 dB, tem que evitar o uso por tempo prolongado. Além disso, dormir com o fone não é recomendado, pois isso vai causando prejuízo”, enfatizou Marine da Rosa.
“Realmente, a probabilidade é de aumentar o número de casos de pessoas com perdas auditivas, não por conta de surdez congênita, mas pelos maus hábitos. Antes, só víamos o problema em idosos, pessoas que trabalhavam com ruídos ou que haviam sofrido acidente. Hoje, os mais jovens têm mais perdas por conta dessa exposição excessiva ao volume alto.” – Marine da Rosa. Fonoaudióloga.

Implante pode ajudar

Para quem perdeu a audição, o uso de aparelho pode ser a solução, mas tudo depende do tipo de perda. “Essa perda pode ser congênita ou adquirida. O aparelho é indicado para aquela que atinge a cóclea, parte sensorial da audição. Existem pessoas que não conseguem se adaptar com a prótese, porque o problema é mais profundo. Nesse caso, é indicado o implante coclear”, explicou a fonoaudióloga Marine da Rosa.
Primeiro, é feito um teste para ver se o paciente se adapta ao implante coclear. Só depois o implante é feito. “É uma cirurgia complexa. Antes de acontecer, é necessária uma avaliação com fonoaudiólogo, otorrino, psicólogo. No Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa, o implante é feito, mas ainda não é feito pelo SUS. Só com liminar”, observou.
A fonoaudióloga lembrou que o implante funciona, inclusive, para quem já nasceu surdo. “Com ele, o usuário consegue desenvolver a fala e esse é um grande avanço. Existem outros implantes que não são só na cóclea. Tem o do tronco, que é mais profundo para casos em que a pessoa não tenha a cóclea”, completou.

Funad faz acompanhamento

Duzentos e trinta e sete pessoas com perdas auditivas são acompanhadas hoje pela Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad). Elas contam com atendimento por faixa etária, incluindo o pedagógico, curso de Libras e até de instrutor, segundo Elisângela Medeiros, chefe administrativa do Centro de Capacitação de Professora de Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS).
Vitória Santos, de 18 anos, mora no município de Cuité, está no 2º ano do Ensino Médio e quer ser médica. Ela vem todas as quartas-feiras para a Funad e é uma das alunas da turma dos regularmente matriculados na escola. “O processo de aprendizagem tem sido importante para o meu desenvolvimento. Aqui também fiz muitas amizades”, disse, em Libras.
Para Ana Beatriz Braz Gouveia, 17 anos, que está na mesma turma, o implante coclear ajuda na aprendizagem e no relacionamento com as outras pessoas. “Fiz o implante aos 4 anos e tenho certeza de que o mundo se abriu para mim. Consigo me comunicar através da fala e isso me dá mais independência”, contou.

No Brasil / 2019

30 milhões sofrem de surdez*;
14% é o percentual da população que esse número representa.
Fonte: Ministério da Saúde. *Número aproximado.

Doenças levam à surdez

O zumbido já é um alerta da perda auditiva, mas o declínio da audição não ocorre só por conta do barulho. Doenças também podem levar à surdez. Foi o que aconteceu com o assistente administrativo Eurivaldo Alexandrino Primo. Ele perdeu totalmente a audição há cinco anos, após contrair meningite durante uma viagem pela região amazônica, Venezuela, Suriname, Guiana, e hoje só ouve graças ao implante coclear.
“Eu ouvia bem, mas na época da viagem não tomei a vacina e acredito que, por isso, contraí a doença. O tipo viral da minha meningite era muito forte e acabou sendo a causa da perda auditiva total”, relatou o agente administrativo Eurivaldo Alexandrino Primo.  Foram 16 tipos de exames em dois anos até descobrir que se tratava de meningite. Ele relatou que os nervos se tornaram ressecados, o que levou à surdez.
“Hoje uso o implante coclear e consigo entender a voz das pessoas. No início não compreendia muita coisa, eram muitos chiados. Mas, aos poucos fui me adaptando. Sem ele, não escuto nada. Foi muito bom voltar a ouvir”, comemorou que, há três anos fez o implante.

Números

466 milhões de pessoas no mundo sofrem atualmente com problemas auditivos;
34 milhões de crianças no mundo têm o problema;
900 milhões de pessoas no mundo irão ter problemas auditivos até 2050.
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS).
*Texto de Lucilene Meireles, do Jornal Correio


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