Diretora da ala de passista da São Clemente mistura balé com atletismo ao sambar: 'Postura mais classuda' - Jornal Diário do Curimataú
Diretora da ala de passista da São Clemente mistura balé com atletismo ao sambar: 'Postura mais classuda'

Diretora da ala de passista da São Clemente mistura balé com atletismo ao sambar: 'Postura mais classuda'

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G1 - 
A mistura do balé com atletismo deu samba na vida de Bellinha Delfim, 20 anos, diretora da ala de passistas da São Clemente. Há 4 anos desfilando pela escola, Bellinha conta que seu jeito de sambar tem um pouco de tudo: a leveza do atletismo, que pratica há 4 anos, e a elegância do balé, que fez por 14 anos.
"Aproveito tudo no samba porque o corpo não esquece", conta Bellinha.
Segundo a passista, ela pensa em cursar na faculdade algo que tenha a ver com o corpo, como nutrição ou fisioterapia.
Este ano, a São Clemente vai levar para a avenida um enredo em homenagem à bicentenária Escola de Belas Artes. 

1) Você fez balé por 14 anos e depois parou para fazer atletismo. O que leva disso tudo para o samba?

Levo tudo que aprendi, por isso o meu jeito de sambar é diferente, sambo de uma forma mais classuda. Isso muito por conta do balé.

2) Seu tipo físico é mais de atleta do que de sambista. Como você encara isso?

Algumas vezes, acho que não sou chamada para eventos de samba porque não tenho peitão, corpão. Para o que eu faço, que é o atletismo, preciso que meu corpo seja desse jeito.

3) Pensaria em mudar alguma coisa no seu corpo?

Sou muito satisfeita. Talvez gostaria de ser mais alta. Priorizo mais o atletismo do que o samba. Então o que não vai me favorecer no atletismo, não vale a pena. Dessa forma, sambo de forma leve. A maioria quer peitão porque sociedade tem isso como padrão, mas vejo muitas meninas que ficam pesadas pra sambar.

4) Por que a escolha do atletismo?

Comecei há 4 anos, mas a vontade vem desde criança. Eu era a mais rápida nas olimpíadas do colégio.

5) Você gasta muita energia por semana?

Sim, com ensaios da escola, treinos. Hoje em dia, eu treino na Urca, tenho sorte por ter um lugar legal para treinar. Entre os treinos, faço levantamento de peso olímpico. No agachamento pego 92 kg, para dar fortalecimento, potência, força.

6) Você sempre desfilou pela São Clemente, mas deve ser bastante assediada por outras escolas, né?

Já recebi convites, mas sou feliz aqui, gosto de sambar na São Clemente, não quero mudar. Além disso, o presidente da escola é muito ciumento (risos), não gosta nem que a gente visite outra quadra.

7) Como faz pra conciliar seus ensaios com os do seu namorado, que é ritmista da União da Ilha?

A gente consegue equilibrar bem.

8) Como você avalia a profissão de ser passista?

Samba é alegria, mas não dá pra viver só disso. Acho legal seguir essa vida, mas acho que a gente precisa ter uma formação, outros conhecimentos. Assim como em outras profissões, você vai deixar de ser chamado por estar velha, por não ter mais corpão. O conhecimento ninguém tira de você.

9) Você virou diretora da ala de passistas, mas continua desfilando. Como ficou essa relação?
O Renato [presidente] dá muita oportunidade para quem se entrega. Tenho muita responsabilidade por isso. O que muda é que agora eu assumi o papel de mandar, organizar minhas amigas que estavam no mesmo nível de importância que eu. Tenho que cobrar frequência de ensaio e outras coisas. Quando eu era apenas passista só tinha obrigação de ir aos ensaios. Hoje, vejo a questão da organização, do alinhamento.

10) Já pensou em fazer algo na televisão?

Talvez. Faço algumas campanhas publicitárias. Atualmente, estou no ar com um comercial ao lado do Michel Teló. Depois que fiz um comercial com Neymar, Varejão, Fernando Fernandez e Fabiana Murer, na época da Olimpíada do Rio, o cachê melhorou (risos).


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