segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Francisco entra no quinto ano como papa com a Igreja Católica dividida

Com informações da Folha -

O papa Francisco irá entrar o quinto ano de seu pontificado lidando com o que muitos acreditam ser a maior crise do catolicismo desde que um grupo conservador dissidente foi expulso da Igreja Católica em 1988. O motivo não é muito diferente daquele que levou o então arcebispo francês Marcel Lefebvre a ser excomungado por criar bispos sem permissão de Roma: o embate entre visões tradicionalistas da fé e o mundo moderno.

Para usar a expressão inglesa, contudo, é preciso aplicar um grão de sal ao apreciar essa sentença simplificadora. Francisco não representa nenhuma ruptura de visões como a crítica ao controle de natalidade ou ao casamento gay, como muitos ativistas progressistas gostam de crer.  O que o argentino Jorge Mario Bergoglio vem fazendo em seu papado é estimular um relaxamento de visões dogmáticas de questões como a possibilidade de divorciados tomarem a comunhão. Opõe-se à ideia de uma igreja menor e mais coesa, defendida pelo seu antecessor, o papa emérito Bento 16.
E busca combater a burocracia do Vaticano, personificada pela Cúria Romana.
“O esforço em reformar o clero e dar poder a laicos gera resistência. Ele denuncia o clericalismo”, diz o especialista em Vaticano Thomas Reese, do Religion News Service. Jesuíta como Francisco, o americano não esconde sua admiração pelo papa. “Sua mensagem de compaixão ressoa no mundo todo”, afirma, explicando a boa imagem que Francisco trouxe à igreja após os anos introvertidos de Bento 16 (2005-2013).
É um conflito com muitas etapas. Com poucos meses no cargo, Francisco proibiu uma ordem franciscana de rezar missas em latim, algo desencorajado após o Concílio Vaticano 2º, iniciado por João 23 em 1961 e que “abriu as janelas da igreja para o mundo”, como dizia o então pontífice -aliás, feito santo por Francisco no mesmo dia que João Paulo 2º, o conservador que antecedeu Bento 16.
Formou uma comissão de cardeais para reformar procedimentos da Cúria, prometeu escrutinar as finanças do Banco Vaticano, declarou que a igreja tinha de amar os homossexuais, rejeitou os paramentos medievais que Bento 16 usava ostensivamente e foi morar num quartinho da hospedaria Casa Santa Marta, longe do refinamento do apartamento papal. Foi além: em 2015, falou abertamente que a Cúria sofria de “mal de Alzheimer espiritual” e era infectada por um “rio de corrupção”. Francisco mirou adversários internos.

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