segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Polícia Militar investiga policial que tentou prender estudante e professor na UEPB-Guarabira

G1 –


A Polícia Militar instaurou um procedimento administrativo para apurar uma tentativa de prisão a uma estudante e ao diretor do Centro de Humanidades (CH) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em Guarabira, o professor Waldeci Ferreira Chagas. Segundo o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Gilberto da Silva, a Corregedoria vai “apurar toda a extensão do episódio narrado”.

A confusão aconteceu na quinta-feira (26), no campus III da UEPB, durante o 2º Simpósio de Gênero, Sexualidade e Educação no Campus. O professor Waldeci relatou que um policial militar, lotado no 4º BPM, tentou prender em flagrante uma estudante do curso de Letras que estava escrevendo mensagens em uma parede destinada à livre expressão de opinião e manifestação cultural e artística.

O argumento do policial, conforme explicou o professor, foi de que a aluna estava depredando o patrimônio público. Porém, o diretor do CH explicou que aquele espaço havia sido reservado àquele fim em consenso, após reivindicação da comunidade acadêmica. Por defender a atitude a aluna, o professor também recebeu voz de prisão - sob o argumento de que ele estaria incentivando a depredação do patrimônio público.

“O que está escrito na parede não é depredação do patrimônio público porque foi feito com a anuência da comunidade do CH. Isso foi decidido pelo coletivo”, relatou o professor em ofício à PM.

Inconformado com a prisão, Waldeci se desvencilhou das mãos do policial e também libertou a estudante, pedindo ajuda de uma advogada e dos participantes do simpósio que acontecia no local. A advogada argumentou que não havia crime para que o professor e a estudante fossem presos em flagrante e o policial desistiu da prisão.

Ainda assim, segundo relatou o professor, o policial militar não foi embora antes de xingar uma aluna. “Depois foi até a secretaria do evento perguntou se ele poderia se inscrever, o que a aluna que estava secretariando disse que sim, e entregou-lhe uma ficha. Ele preencheu a ficha e com ar de deboche e sarcasmo chamou a estudante de vadia e fitando-lhe nos olhos rasgou a ficha de inscrição chamando-a de vadia”, relatou.

Waldeci também relatou que mais tarde, viaturas da Polícia Militar ficaram rondando o Centro de Humanidades sem serem solicitadas. 

“Logo, a comunidade considerou estranha a presença da polícia no centro e entendeu tal presença como um gesto de intimidação, sobretudo, porque a presença de viatura da PM no CH não é comum, exceto quando é solicitada”, explicou.



O professor Waldeci publicou um ofício relatando o que aconteceu e entregou o documento ao tenente-coronel Gilberto. O comandante do batalhão informou que o procedimento tem um prazo de 20 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado por mais 10 dias.

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