domingo, 8 de outubro de 2017

Jovem usou câncer de mama para ajudar as mulheres superarem a doença

Metrópoles –


No início do ano, Isabel Costa tirou o biquíni do armário para fazer um ensaio com um fotógrafo profissional. Ao conferir o resultado final, percebeu que uma de suas mamas estava estranha nas imagens. “Não levei muito a sério. Sou vaidosa e pensei ser coisa da minha cabeça”, revela. Mas semanas depois, ela começava uma nova jornada: seria diagnosticada com câncer de mama.

A jovem não procurou um médico imediatamente. Mas continuou sentindo que algo estava errado. Apenas em julho, ao apalpar a mama, sentiu um nódulo. Oito meses antes de descobrir o tumor, tinha passado por uma mastologista e nada parecia suspeito — ela fazia acompanhamento após uma cirurgia plástica para colocar silicone.

Isabel descreve a sua vida antes do diagnóstico como “perfeita”. “Reclamava muito de coisas pequenas. Hoje tenho motivos, mas não reclamo”, filosofa. A mãe da estudante costumava brincar que a filha precisava de 30 horas por dia, porque as 24 não bastavam. Agora, tudo tem outro tempo.

“Estava matriculada em seis matérias na faculdade de direito. Tive que cancelar tudo, atualmente só me dedico a três disciplinas — todas a distância. Fazia curso de inglês e planejava um intercâmbio ano que vem. Mas paciência, tudo mudou”, avalia.

O diagnóstico do câncer veio de um médico “agressivo”, como avalia Helenice Miranda Cunha, de 52 anos, mãe da jovem. “Ele foi desumano ao dar a notícia. Nem esperou eu me sentar no consultório. Ainda estava me vestindo após o exame e ele falou que era um câncer. Minha mãe não acreditava e eu também não. Fiquei bem desesperada”, conta a estudante.

A estudante sempre deixou muito claro sua vaidade. Ela brincava com a mãe que, se algum dia ficasse careca, ia precisar de muita terapia. Mas quando realmente perdeu o cabelo, não houve espaço para sofrimento. “Não fiquei triste, não tive sentimento nenhum quando os fios caíram. Na verdade, foi um verdadeiro alívio porque a cabeça ardia muito. Óbvio que não fiquei feliz, mas pelo menos estou confortável”, avalia.

Apesar da intensidade — física e emocional — do processo de tratamento, o que não falta para Isabel é determinação e positividade. “Não é fácil para ninguém. Mas ela é muito forte, surpreendentemente forte”, emociona-se Helenice. A jovem fala que sua mãe é a inspiração para seguir lutando. Além da família, a estudante encontra amparo em sua fé. “Acredito que as coisas acontecem por algum motivo, isso me conforta”.

Isabel também investe energia em seu blog, “Câncer aos vinte”. Nele, relata desde o diagnóstico, feito há dois meses, até as sessões recentes de quimioterapia. Ela explica os procedimentos médicos e traz sua perspectiva. 

“No começo, achei que tivesse os dias contados, mas depois eu vi que não é assim. Tem tanta gente em situação pior do que a minha. Sou muito privilegiada, tenho uma assistência médica boa e o apoio da minha família e dos meus amigos”.



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