sábado, 1 de julho de 2017

Conta de energia elétrica fica mais cara com aplicação de bandeira amarela

Estadão -

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a mudança para bandeira amarela. Dessa maneira, as expectativas para o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) mudam no curto prazo, já que a bandeira amarela adiciona R$ 2 por quilowatt/hora na fatura de energia elétrica e tem peso próximo a 4% no orçamento das famílias. Mas, como a alteração em algum momento do ano já estava na planilha dos economistas, as perspectivas para inflação deste ano seguem iguais.
O retorno para a bandeira amarela era esperada pelo mercado em algum momento deste ano, mas a adoção para julho não estava no cenário de economistas consultados pelo Estadão/Broadcast.
O impacto da mudança da bandeira verde para amarela no IPCA é de 0,14 a 0,15 ponto porcentual, segundo os economistas. No caso da MCM Consultores, a projeção para julho foi alterada para 0,40%, de 0,25% antes do anúncio da Aneel. Mas o economista Caio Napoleão explica que essa diferença vai ser devolvida em agosto, para quando a consultoria esperava a adoção da bandeira amarela. A estimativa para o IPCA do oitavo mês do ano passou de 0,35% para 0,20%.
Para 2017, a previsão da MCM Consultores permanece em 3,75%. “Para a inflação do ano, não muda nada, porque o que vale é como vai terminar em dezembro e, como já esperávamos a adoção da bandeira amarela em agosto e mantida até o fim do ano, nada muda”, diz Napoleão.
O economista Leonardo França Costa, da Rosenberg Associados, também diz que já esperava a mudança para este ano, mas para agosto. “Não surpreende, dadas que as correções estão sendo mais tempestivas, e não mudam projeção para o ano”, afirma, completando que a notícia não altera o quadro de desinflação para 2017. A previsão da Rosenberg é que o IPCA termine este ano em 3,50%.
Nas contas de França Costa, o efeito da bandeira amarela sobre o IPCA de julho deve ser de 0,14 ponto porcentual. Com isso, sua estimativa para o dado fechado do sétimo mês saiu de 0,13% para 0,27%.
Como foi uma antecipação, não modificou a expectativa para o IPCA do ano”, diz a economista Juliana Kitazato, da LCA Consultores, que mantém a expectativa de 3,80% para a inflação fechada em 2017.
A despeito do cenário ainda favorável para os preços dos alimentos, que pode ajudar o IPCA de junho a ficar com deflação de 0,24%, o economista da Rosenberg acredita ser difícil o grupo Alimentação e Bebidas ter alívio substancial em julho.
“O feijão voltou a subir. Além disso, os preços dos produtos que estão ajudando a conter o IPCA, como tubérculos, são muito voláteis. É preciso aguardar. Agora, se Alimentação cair muito, quem sabe”, avalia.
Volatilidade. Em junho, a deflação no IPCA é consenso entre os economistas em função, principalmente, da queda espera em energia elétrica graças à adoção da bandeira verde no mês. Na MCM, a expectativa é de recuo de 0,15%.
“Com ajuda de alimentação no domicílio, que deve vir bem fraca, bem para baixo, além de combustíveis por causa das últimas duas revisões baixistas da Petrobras. Mas o que mais muda é a energia, porque sai o efeito da retirada do desconto dado na conta de luz em abril e entra a adoção da bandeira verde”, explica Napoleão.
Comentando a volatilidade recente na energia elétrica, o economista da MCM diz que o sistema de bandeiras está muito incerto. Segundo ele, a consultoria não estimava bandeira verde em junho, porque, segundo especialistas do setor elétrico, o nível dos reservatórios não estava tão favorável. “Mas parece que a decisão da Aneel estava mais relacionada ao volume de chuvas.”
Juliana, da LCA, tem a mesma avaliação: “A alteração para a bandeira verde foi uma surpresa, pois aconteceu exatamente no período seco. Esperava bandeira amarela mais para frente”, completa.

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