quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sem condições de governar, Temer bota o Exército na rua e revive 1964

Jornal da Paraíba -

O presidente Michel Temer (PMDB) deu provas nesta quarta-feira (24) de que não tem mais condições de governar. A convocação das Forças Armadas, ao invés da Força Nacional, para garantir a segurança dos prédios públicos em Brasília mostra isso. Sem apoio popular, político e alvo de investigação da Procuradoria-geral da República (PGR), o gestor opta por combater protestos com tanques de guerra e fuzis. O ministro da Defesa, o ex-comunista Raul Jungmann, assegurou que o pedido foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar nega. Diz que solicitou a intervenção da Força Nacional para conter os protestos.
A decisão do presidente, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, foi justificada como necessária para controlar a baderna. As manifestações, em Brasília, convocadas pela Frente Brasil Popular e centrais sindicais para pedir eleições diretas, começou de forma pacífica e termino em quebra-quebra. Houve confronto entre policiais e manifestantes e prédios da Esplanada dos Ministérios foram depredadas. A situação foi classificada por Jungmann como “baderna” e “descontrole”. Em pronunciamento feito a pedido do presidente Michel Temer, o ministro disse que as manifestações degringolaram “para violência, vandalismo, desrespeito, agressão e ameaça”. E tem razão, mas só neste ponto.

“Socorro da caserna”
A convocação das Forças Armadas ocorre cinco dias depois de Jungmann e Temer se reunirem com os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. O encontro, em meio a denúncias de corrupção e risco de ser alvo de impeachment, foi entendido por muitos como a busca do presidente pelo socorro dos militares. Até o momento, pelo menos 12 pedidos de impeachment foram protocolados na Câmara dos Deputados tendo o presidente como alvo. Ele chegou ao poder justamente com o impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), acusada de crime de responsabilidade.

“O presidente ressalta que é inaceitável a baderna, o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar um processo que se desenvolve de maneira democrática e em respeito às manifestações”, disse Raul Jungmann. O decreto do presidente tem validade até o dia 31 deste mês e é restrito à segurança nos prédios públicos de Brasília. Para justificar a medida excessiva, o governo justifica que o protesto mobilizou “baderneiros profissionais”. O protesto foi organizado por centrais sindicais e movimentos de esquerda pela saída do presidente, contra as reformas da previdenciária e trabalhista e a favor da convocação de eleições presidenciais diretas.
O uso das Forças Armadas para conter manifestações causa perplexidade porque traz lembranças tristes para o Brasil. Em 1964, o golpe militar foi colocado nas ruas como a justificativa de restabelecer a ordem. Ganhou um apoio popular que não encontra hoje. Era uma coisa transitória, tiraria do poder um presidente eleito (João Goulart) e convocaria novas eleições. Pois é, essa medida transitória se transformou em quase 21 anos de sombra sobre a nossa democracia. Pessoas foram mortas, torturadas e banidas do país sem que houvesse julgamento. É um fantasma que vive a nos assombrar e, embora não haja clima para isso, o risco de ser revivido assusta.


Guarda Nacional
Na ação desta quarta-feira, policiais treinados para conter manifestações usaram bombas de gás e de efeito moral durante a manifestação. Com o Exército nas ruas e suas tropas de meninos com fuzis nas mãos, a coisa tende a ser mais perigosa. Não é preciso dizer que esse governo acabou…



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