sábado, 20 de maio de 2017

O que esperar do Brasil após novo escândalo político? Especialistas explicam

Correio -
Delações, denúncias e crises. Desde a última quarta-feira (17) que estas palavras vêm tomando conta do noticiário nacional e das rodas de conversa da população. Mas e como fica o povo no meio de todo este imbróglio político que se instaurou no país? A reportagem conversou com um especialista político e um econômico para tentar explicar o que nós podemos esperar para os próximos dias e meses. O cenário não é dos melhores.

Para o economista e ex-presidente do Conselho Regional de Economia da Paraíba, Celso Mangueira, a pequena melhora que o Brasil vinha apresentando no âmbito econômico deve ir por água abaixo com os recentes acontecimentos.

“Nós temos que levar em consideração que havia, mesmo de forma tímida, uma perspectiva de melhoria, alguns resultados positivos, queda da inflação, estabilidade do dólar, tímida recuperação de emprego, gerava-se uma expectativa. A partir do momento que veio este momento atual extremamente preocupante e indefinido, o empresariado e a população se retraem”, explicou.

Ainda segundo Celso, na Paraíba mais precisamente, um dos setores que podem sofrer retração é o imobiliário. “Tivemos uma ligeira recuperação no setor imobiliário na Paraíba. Se isto se perdurar gerar uma retração por parte do empresário, pode voltar uma situação anterior da inflação, que estava em queda, aumentar”.

Por fim, ele explicou que, com o aumento da inflação, toda a população sofrerá diretamente os danos. “Aumentando a inflação afeta a todos nós e principalmente a menor renda e na Paraíba tem mais pessoas nesta faixa de renda.Consequentemente não tem como se proteger, os mais ricos não sofrem tanto, mas os mais pobres, sim. Resumindo é que há aquela ligeira expectativa de que começava a tomar um rumo, freou. Ninguém arrisca dizer qual será a situação”, alertou.

No âmbito político, o especialista José Henrique Artigas afirmou que, apesar de toda a descrença com os políticos, não há alternativa para uma saída que não seja através da própria política.

“Não existe alternativa para uma sociedade complexa, que não seja através da política. Não temos saída. Como diziam os fundadores da democracia “o estado é um mal necessário” e a política os partidos também são necessários porque os homens não são santos, é preciso um Estado, não há outra alternativa que não a representação através do Estado. Por outro lado, também dizia Thomas Jefferson que “o preço da democracia é o eterno controle”. Temos que criar mecanismos para controlar os desejos e abusos dos homens. O que temos pela frente, necessidade de reconstruir as instituições”, explicou.

Segundo ele, a crise político-institucional que já é grave no Brasil, pode vir a se aprofundar ainda mais com uma possível eleição indireta. Ele enxerga que, por mais que seja difícil ter uma saída, o melhor caminho seria através do voto direto.

“O sistema partidário está desacreditado. O Parlamento não conta com legitimidade. As instituições são mal vistas. A Constituição Federal fala em eleições indiretas. Se isto vier a acontecer de fato não restaurará a legitimidade, retiraria da população o poder de escolha. Todos os poderes estão em crise. Só a sociedade poderia fazer o julgamento. A única alternativa é retornar a soberania para quem lhe é de direito, as eleições diretas são um prenúncio do que poderá melhorar, não seria suficiente, mas qualquer alternativa a isto seria aprofundar ainda mais as crises”, finalizou.



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