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Rezadeiras: Uma tradição familiar em Nova Floresta e região; conheça história

Written By Diário do Curimataú on sexta-feira, 10 de junho de 2016 | sexta-feira, junho 10, 2016

Gustavo Camelo -

Dona Edivan diariamente abençoa crianças, adolescentes e idosos
 em sua residência.
Todas as classes sociais procuram seu serviço
Quem nunca pediu 'socorro' a uma rezadeira quando um filho ou alguém da família adoeceu que "atire a primeira pedra".  Pais apavorados com filhos doentes são os mais que procuram as curadeiras. 
Esses benzedores  tem o poder de abençoar objetos, curar animais e até picada de cobras. Apesar do tempo e dos avanços da medicina, a tradição dos benzedores ainda persiste na nossa moderna sociedade capitalista, sendo encontrados em cidades do interior e na periferia dos grandes centros. Acreditando ou não no poder da reza, tem sempre aqueles que procuram nas benzeções, uma cura para a sua doença ou um alívio para a sua dor.

As enfermidades curadas pelas rezadeiras se configuram como perturbações que atingem não somente o corpo, a esfera física, mas estão ligadas a questões sociais, psicológicas e/ou espirituais que afetam o cotidiano.  Na crendice popular, corpo e espírito não se separam, muito menos desliga-se  a vida da religião. Para todos os males que atingem a alma e o corpo  do homem sempre há uma reza para curar. 

Segundo a tradição, mulheres tem o dom de rezar crianças,
 adolescentes, idosos e objetos, já os homens
 que exercem essa prática rezam apenas animais.
O que é o benzimento?
No dicionário, benzer significa tornar Santo ou Bento. Benzer alguém é o ato de rezá-lo, solicitando que dela se afastem todos os males  que lhe esteja afligindo.

Faz-se o “sinal da cruz” sobre a pessoa, objeto ou animal, proclamando orações diversas com o intuito de consagrá-la ao ser superior e pedir  forças dos céus para abençoa-lo. O benzimento é uma técnica simples, independente de crença ou religião, de dia, lua, horário ou local para ser praticado.  

Perfil das rezadeiras
A maioria das rezadeiras são idosas, católicas, com pouca escolaridade e baixa renda. Elas encaram seu ofício como um serviço assumido por tradição e em resposta a necessidades da comunidade. Não cobram pelos benzimentos, mas geralmente os que procuram seus serviços, levam presentes como forma de agradecimento. 


Em Nova Floresta-PB, todas as benzedeiras que entrevistamos, mencionaram que o benzimento se aprende  através de uma tradição familiar. Elas  relataram que aprenderam com alguém da família ou que foram apadrinhadas por outra benzedeira por possuir  o dom. 

A maioria  dessas senhoras dizem ter o poder de revelar até se foi um homem ou uma mulher  que colocou o mau-olhado no objeto e na pessoa que ela rezou.

A aposentada Edivan Ferreira da Silva Azevedo, 71 anos, aprendeu a rezar quando era adolescente com uma avó materna, e disse que nenhum dos filhos tem interesse de aprender aquilo que ela preserva há décadas. "Eu aprendi com a minha vó, mãe da minha mãe e infelizmente hoje nenhum dos meus filhos se interessam em aprender a rezar, depois de mim não terá ninguém para dar continuidade."



Segundo a idosa, a sua vó  na época ordenou que ela ensina-se apenas pessoas do sexo masculino para não quebrar os 'poderes', seguindo assim a tradição imposta. 

Edivan relatou que tem dia que nem almoça, pois no horário de meio-dia muitos a procuram para tirar mau-olhados. Ela falou também que familiares residentes no  Sudeste do país fazem filas quando vem visitar a Paraíba, pois desde de pequenos confiam na sua 'reza forte'. "Quando meus sobrinhos, netos e filhos se reúnem eles fazem filas para eu rezar, pego o raminho de arruda e abençoou todos, eles confiam na minha fé."

Cinco rezadeiras do município de Nova Floresta foram  procuradas pela nossa equipe, algumas seguindo à risca a tradição, disseram que não podia se expôr, pois perderia o dom de rezar se cedessem detalhes ou imagens pessoais. Um benzedor bastante conhecido na cidade também foi procurado, mas por ser evangélico não quis falar sobre o assunto.

A Reza faz Milagres?
A curandeira Luzia Bastos, 74 anos, residente na Zona Rural de Nova Floresta, mencionou que tudo que reza dá certo, mas também não é santa para obrar  milagres. "Todos que vem em casa e eu rezo voltam depois para agradecer, dizendo que deu certo. Alguns me procurar com familiares muito doentes nos hospitais e digo que não faço milagres, porque assim não precisaria de médicos e também de gastar dinheiro. Essas coisas que dá em crianças como mau-olhado causado pelo "olho gordo" de alguém agente tira, algumas "doenças bestas" que dar em adulto também dar certo", explicou a aposentada.

Relatos de Cura

A agricultura Graça da Silva, moradora de Nova Floresta,  disse que o seu filho mais velho passou por sérios problemas de saúde na infância, correndo até risco de perder a vida, mas uma rezadeira da família, segundo ela, trouxe a saúde de seu filho de volta. "Meu filho Francisco estava magro e muito doente, os médicos chegavam a nos desanimar, mas levei ele na avó que também rezava e no outro dia esse menino deu uma levantada e graças a Deus nunca mais a doença voltou. Hoje ele está com 23 anos firme e forte". disse a senhora.

O sobrinho  de Dona Edivan também foi curado de uma enfermidade quando era criança. A irmã dela disse que atualmente o seu filho  está com mais de 40 anos e muito bem de saúde, graças a fé da curandeira da família.  "Meu menino tava muito mal de saúde, uma diarreia forte que não parava, ele vomitava e sentia dores. Minha irmã rezou ele duas vezes em seguida,  o menino teve melhoras rápido e hoje está grande com sua família no Goiás", disse Mariquinha, irmã de Edivan.

O que os evangélicos dizem sobre essa prática

O nova-florestense Rusemberg Medeiros é diácono na Igreja AD Brás em Picuí-PB, e antes de se tornar evangélico acreditava muito no poder da reza. Ele crer que quem tem  posse do poder divino pode sim curar pessoas. "De acordo com Êxodo 15:26, Deus promete saúde e cura para seu povo, aquele que permanece fiel ao seu concerto e mandamento", disse.

Apesar de ser um prática  presentes nos costumes tradicionais,  a reza  está  em decadência, não só em Nova Floresta, mas em todo interior do Nordeste. As famosas rezadeiras estão 'desaparecendo' aos poucos.  Essa escassez se dar devido há grande maioria das 'mulheres da fé' não ter 'substitutos' para prosseguir depois que morrem. Em outros casos, muitas  se afastam porque precisam  se dedicar mais a família e a dura rotina diária,  deixando  a prática  de benzer para segundo plano.


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